Onda U no eletrocardiograma: o que ela revela sobre o coração

Onda U no eletrocardiograma: entenda o que ela indica

A onda U é a pequena deflexão que sucede a onda T no traçado eletrocardiográfico e reflete fenômenos de repolarização ventricular tardia. Sua amplitude normal corresponde a aproximadamente 5% a 25% da amplitude da onda T, geralmente não ultrapassando 1 a 2 milímetros, sendo mais evidente nas derivações precordiais V2 e V3. 

Onda U

A origem exata dessa onda permanece um tema debatido na literatura cardiológica. As hipóteses mais aceitas envolvem a repolarização tardia das fibras de Purkinje, a repolarização prolongada das células M (camada intermediária do miocárdio) e mecanismos eletromecânicos ligados ao relaxamento ventricular. Nenhuma dessas teorias é universalmente aceita, o que mantém a onda U como um achado de interpretação criteriosa dentro da eletrocardiografia, conforme descrito em revisão publicada pela Revista da SOCERJ.

Soluções de inteligência artificial aplicadas à cardiologia, como o Kardia, da Neomed, ganham relevância operacional. Ao atuar como copiloto clínico, o Kardia analisa o traçado eletrocardiográfico e sinaliza padrões relevantes em poucos segundos, apoiando o médico responsável na identificação de alterações que exigem atenção adicional, incluindo achados sutis como variações na onda U associadas a quadros de hipocalemia, bradicardia ou isquemia.

Como funciona a formação da onda U no ECG?

A formação da onda U ocorre em um intervalo curto após a repolarização ventricular principal, representada pela onda T, e depende diretamente da frequência cardíaca e do tônus autonômico do paciente. 

Em primeiro lugar, a repolarização ventricular avança de forma predominante através das fibras de resposta rápida do miocárdio, gerando a onda T. Em seguida, um grupo residual de células, com repolarização mais lenta, produz a pequena deflexão adicional identificada como onda U. Por fim, esse fenômeno tende a se tornar mais visível em frequências cardíacas baixas e em pacientes vagotônicos, geralmente jovens, e a desaparecer quando a frequência cardíaca ultrapassa 90 a 95 batimentos por minuto. 

Segundo o portal técnico My EKG, essa relação entre frequência cardíaca e visibilidade da onda U é um dos critérios práticos mais utilizados na leitura do traçado.

Quais são os tipos de onda U observados no ECG?

Existem dois padrões principais de onda U, classificados pela polaridade observada no traçado:

  • Onda U positiva: padrão fisiológico mais comum, apresentando a mesma direção da onda T nas derivações precordiais, exceto em aVR, e costuma ocorrer em indivíduos jovens, saudáveis e com frequência cardíaca reduzida. 
  • A onda U negativa: considerada um achado patológico na maioria dos casos e está associada a isquemia miocárdica, sobretudo relacionada à artéria descendente anterior, além de sobrecarga ventricular esquerda e determinadas miocardiopatias. 

Estudos populacionais indicam ainda que a inversão da onda U carrega correlação prognóstica adversa, reforçando a necessidade de investigação sempre que esse padrão for identificado, segundo aponta o portal Cardiologia Arritmias.

Qual a diferença entre onda U normal e onda U patológica?

A diferença central entre a onda U normal e a patológica está na amplitude, na polaridade e no contexto clínico associado ao traçado. Enquanto a onda U normal apresenta amplitude discreta, polaridade positiva e costuma acompanhar frequências cardíacas baixas em pacientes assintomáticos, a onda U patológica se manifesta com amplitude maior que a própria onda T, polaridade invertida em relação à T ou associação direta com sintomas como dor torácica, palpitações ou uso de determinados medicamentos. 

Enquanto a primeira dispensa investigação adicional, a segunda exige avaliação complementar imediata, incluindo dosagem de eletrólitos séricos e correlação com o quadro clínico do paciente. Essa distinção é especialmente relevante em pacientes com hipocalemia, nos quais a onda U proeminente se soma a achados como achatamento da onda T e depressão do segmento ST.

Como identificar e registrar a onda U no laudo de ECG na prática clínica?

Identificar e registrar corretamente a onda U no laudo exige atenção sistemática às derivações precordiais e ao contexto clínico do paciente. Na prática, recomenda-se registrar em quais derivações a onda U é mais evidente, geralmente V2 e V3, anotar sua amplitude em milímetros e sua relação percentual com a onda T, além de correlacionar o achado com a frequência cardíaca e eventuais medicações em uso, como antiarrítmicos das classes IA e III (quinidina, sotalol e amiodarona), conhecidos por acentuar essa onda.

 Alterações relevantes, como onda U maior que a onda T, inversão de polaridade ou associação com sinais sugestivos de hipocalemia, devem ser destacadas de forma explícita no laudo, já que orientam a conduta médica subsequente e podem antecipar diagnósticos de distúrbios eletrolíticos ou isquêmicos ainda em fase inicial.

Quais os erros mais comuns na avaliação da onda U e como evitálos?

O erro mais frequente na avaliação da onda U é confundir o intervalo QT com o intervalo QU, atribuindo à repolarização ventricular principal uma extensão que, na realidade, é causada pela presença da própria onda U. Outro equívoco comum é desconsiderar a onda U por julgá-la irrelevante, deixando de investigar hipocalemia, bradicardia significativa ou uso de fármacos antiarrítmicos em pacientes com onda U proeminente. 

Também é comum a ausência de padronização na descrição do achado, sem registro de amplitude, derivação ou comparação com a onda T. Evitar esses erros depende de protocolos claros de leitura e de suporte tecnológico que sinalize automaticamente variações relevantes no traçado, reduzindo a dependência exclusiva da análise visual manual e aumentando a consistência entre diferentes laudos emitidos pela mesma clínica ou hospital.

Perguntas frequentes sobre a onda U no eletrocardiograma

A onda U aparece em todo eletrocardiograma? Não. A onda U nem sempre é visível no traçado, pois depende de fatores como frequência cardíaca, idade e tônus autonômico do paciente. Ela é mais facilmente identificada em jovens, em ritmos cardíacos mais lentos e nas derivações precordiais V2 e V3, tendendo a desaparecer em frequências cardíacas elevadas.

Onda U alterada sempre indica doença cardíaca? Não necessariamente. A onda U positiva e discreta costuma ser um achado fisiológico. Já a onda U invertida, ou maior que a onda T, é considerada anormal na maior parte dos casos e deve motivar investigação de isquemia, distúrbios eletrolíticos ou uso de determinados medicamentos.

Qual a relação entre onda U e hipocalemia? A hipocalemia é a causa mais clássica de onda U proeminente. O padrão típico inclui onda T achatada, depressão do segmento ST e onda U aumentada, especialmente quando o potássio sérico cai abaixo de aproximadamente 2,5 mEq/L.

A onda U pode ser confundida com outros elementos do ECG? Sim. O erro mais comum é confundir o final da onda T com a onda U, o que pode levar à medição incorreta do intervalo QT, na verdade um intervalo QU, alterando a interpretação de risco de arritmias no paciente.

Precisão no laudo de ECG começa com a tecnologia certa

Identificar corretamente condições no eletrocardiograma, distinguindo padrões fisiológicos de achados que exigem investigação adicional, depende de atenção clínica constante e de suporte tecnológico confiável. 

O Kardia, copiloto clínico com inteligência artificial da Neomed, analisa o traçado em sete segundos, detecta fibrilação atrial, infarto agudo do miocárdio, bloqueios atrioventriculares, taquicardias, isquemia e outras arritmias, e entrega laudos críticos em minutos. Conheça o Kardia e reduza o tempo de laudo cardiovascular com precisão e segurança.

Kardia: cardiologia com inteligência artificial

 


 

Ribeiro RL, Reis PF, Bomfim AS et al. Antigos e Novos Conceitos sobre a Onda U do Eletrocardiograma. Revista da SOCERJ, Vol 17 No 3. Disponível em: http://sociedades.cardiol.br/socerj/revista/2004_03/a2004_v17_n03_art05.pdf 

Portal Afya. Onda U continua um enigma da eletrocardiografia. Disponível em: https://portal.afya.com.br/cardiologia/onda-u-continua-um-enigma-da-eletrocardiografia 

My EKG. A Onda U. Disponível em: https://pt.my-ekg.com/generalidades-ecg/onda-u.html 

Cardiologia Arritmias. Onda U ECG. Disponível em: https://cardiologiaarritmias.com/onda-u-ecg/ 

IWOFR. A onda U e o ECG. Disponível em: https://iwofr.org/a-onda-u-e-o-ecg-não-perca-isto/ 

MSD Manuals. Eletrocardiografia. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/doenças-cardiovasculares/exames-e-procedimentos-cardiovasculares/eletrocardiografia 

Telemedicina Morsch. Ondas do eletrocardiograma. Disponível em: https://telemedicinamorsch.com.br/blog/ondas-do-eletrocardiograma 

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Girlane Lovato – Gerente de CS/Operações

Girlane Lovato é farmacêutica graduada pela Universidade Federal do Pará. Possui MBA em Marketing e Vendas e Formação Complementar em Empreendedorismo e Gestão de Contas-Chave. É Gerente de Operações da Neomed, onde lidera as equipes de onboarding e customer success.

Amanda Bonamini – Recursos Humanos

Amanda Bonamini é psicóloga formada pela Universidade Paulista (UNIP), especialista em Gente, Cultura & Desenvolvimento, com mais de oito anos de experiência. Atuou em consultorias e também contribuiu para o crescimento de startups. Na Neomed, é responsável pela área de Pessoas, com foco em cultura organizacional, performance e engajamento.

José Henrique Lopes – CTO

José Lopes é Mestre em Gestão de Informática. Como Engenheiro, atuou no Nordeste Bank, onde implementou o framework Ágil. Também trabalhou na startup Tempo Telecom e criou a primeira MVNO (Mobile Virtual Network Operator) na região Centro-Oeste do Brasil. Na Neomod, é responsável pelo desenvolvimento de produtos, infraestrutura e segurança de dados.

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Bruno Farias é pós-graduado em Estudos Gerais de Negócios com Concentração em Marketing na UCLA (EUA) e atua na área de tecnologia há mais de dez anos. Atuou também na T-Systems em Business Operations, e na Keyrus, em um projeto da multinacional AB-Inbev. Foi também gerente de Produto da Movile e criador da plataforma omnichannel Wavy.

Izabelle Ferreira – Cofundadora e CFO

Izabelle Ferreira é pós-graduada em Gestão Financeira. Como contadora, atuou na Amaggi, um dos maiores grupos de trading de Commodities da América Latina. Implementou e gerenciou toda a gestão de Risco Financeiro, indexando os negócios com a Bolsa de Chicago. Na Neomed, é responsável por toda a área financeira.

Gustavo Kuster – Fundador e CEO

Gustavo Kuster é doutor em Neurologia pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Neurologista pela Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina (EPM) e membro do Conselho da ABTMS, também realiza consultoria especializada em Neurologia e Inovação (Medscape) e é especialista em Conselho Consultivo na Allm Inc (startup japonesa de saúde).