Arritmia cardíaca: tipos, sintomas, diagnóstico e tratamento

Arritmia Cardíaca: tipos, sintomas e diagnóstico

Arritmia cardíaca é qualquer alteração no ritmo normal dos batimentos do coração, seja pela frequência (rápida ou lenta demais), pela regularidade ou pela via elétrica que o impulso percorre dentro do músculo cardíaco. O tema reúne um campo médico próprio, a arritmologia, dedicado exclusivamente ao estudo, diagnóstico e tratamento desses distúrbios do ritmo. 

Detectar uma arritmia cardíaca com precisão e agilidade é hoje um dos maiores desafios da cardiologia clínica, e é justamente nesse ponto que soluções de inteligência artificial como o Kardia, da Neomed, vêm mudando a prática médica: a plataforma identifica fibrilação atrial e outras doenças cardiovasculares em 7 segundos, gera laudos críticos em menos de 5 minutos e opera com SLA de 98,5%, reduzindo o tempo entre o exame e a decisão clínica.

Este artigo funciona como guia de referência sobre arritmias cardíacas, reunindo definição, tipos, sintomas, métodos diagnósticos e condutas terapêuticas atuais, com base em literatura médica reconhecida.

O que é arritmia cardíaca e como ela se manifesta no organismo?

Arritmia cardíaca é a alteração na geração ou na condução dos impulsos elétricos que controlam os batimentos do coração, resultando em frequência cardíaca muito rápida, muito lenta ou irregular. O ritmo normal nasce no nó sinoatrial, localizado no átrio direito, e se propaga pelos átrios até o nó atrioventricular, seguindo pelo feixe de His e pelas fibras de Purkinje até os ventrículos. Qualquer falha nesse trajeto elétrico, seja por doença estrutural do coração, distúrbio eletrolítico, disfunção da tireoide ou uso de determinadas substâncias, pode originar uma arritmia. A frequência cardíaca normal em repouso varia de 60 a 100 batimentos por minuto; abaixo disso fala-se em bradicardia, e acima, em taquicardia. 

Imagem: Associação Brasileira de Arritmia e Estimulação Cardíaca – https://www.abecdeca.org.br/artigos/arritmia-cardiaca

Quais são os tipos de arritmia cardíaca mais comuns?

Os tipos de arritmia cardíaca se dividem, principalmente, entre taquiarritmias e bradiarritmias, além de distúrbios de condução como os bloqueios atrioventriculares. A fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum na prática clínica, caracterizada por atividade elétrica atrial caótica e frequência atrial superior a 300 batimentos por minuto, sem ondas P organizadas. O flutter atrial apresenta padrão elétrico mais regular, com frequências geralmente acima de 250 batimentos por minuto. As extrassístoles, atriais ou ventriculares, correspondem a batimentos prematuros isolados e costumam ser benignas. Já a taquicardia ventricular e a fibrilação ventricular representam quadros de maior gravidade, com risco de parada cardíaca. Nas bradiarritmias, destacam-se a disfunção do nó sinusal e os bloqueios atrioventriculares de primeiro, segundo e terceiro grau. Estudos da Cleveland Clinic detalha essa classificação por origem anatômica e por padrão de frequência, enquanto a ABC Cardiol reúne produção científica brasileira sobre arritmias cardíacas.

Quais são os sintomas de arritmia cardíaca e quando procurar atendimento médico?

Os sintomas de arritmia cardíaca variam de palpitações leves a quadros de emergência, e a intensidade do sintoma nem sempre reflete a gravidade real do distúrbio. Palpitações, sensação de coração acelerado ou de falha no batimento são as queixas mais frequentes, mas muitas arritmias, inclusive algumas de risco elevado, podem ser completamente assintomáticas. Quando a arritmia compromete a capacidade de bombeamento do coração, surgem fraqueza, falta de ar, tontura, pré-síncope ou síncope (desmaio). Dor torácica associada a palpitações, confusão súbita ou perda de consciência exigem atendimento médico imediato, pois podem indicar arritmia com risco de morte. O Coren-PA lista atitudes práticas de prevenção e sinais de alerta que a população deve reconhecer.

Como é feito o diagnóstico de arritmia cardíaca por eletrocardiograma?

O diagnóstico de arritmia cardíaca é feito primariamente por eletrocardiograma (ECG), exame que registra graficamente a atividade elétrica do coração e permite identificar frequência, regularidade e origem do ritmo anormal. 

A leitura do ECG considera a presença ou ausência de ondas P, a duração do complexo QRS (estreito, abaixo de 0,12 segundo, indicando origem supraventricular; ou largo, igual ou acima de 0,12 segundo, sugerindo origem ventricular) e a relação entre atividade atrial e ventricular. 

Como muitas arritmias são intermitentes, o ECG convencional de curta duração pode não capturar o episódio, sendo necessário o monitoramento ambulatorial por Holter, monitor de eventos ou dispositivos implantáveis de registro contínuo, por períodos que vão de 24 horas a duas semanas. Em casos selecionados, o estudo eletrofisiológico invasivo mapeia com precisão o circuito elétrico responsável pela arritmia. 

Qual a diferença entre arritmias benignas e arritmias com risco de morte súbita?

Arritmias benignas não comprometem a capacidade de bombeamento do coração nem oferecem risco imediato à vida, enquanto arritmias malignas podem levar a colapso hemodinâmico, parada cardíaca ou morte súbita em minutos. 

Extrassístoles isoladas, arritmia sinusal respiratória e bloqueio atrioventricular de primeiro grau isolado costumam ser achados benignos, muitas vezes sem necessidade de tratamento específico. Por outro lado, taquicardia ventricular sustentada, fibrilação ventricular e bloqueio atrioventricular total com ritmo de escape instável representam emergências médicas. 

A fibrilação atrial ocupa uma posição intermediária: embora raramente cause morte súbita direta, aumenta de forma significativa o risco de acidente vascular cerebral por formação de trombos no átrio esquerdo, o que exige avaliação de risco tromboembólico e, frequentemente, anticoagulação. 

Essa distinção de risco é o motivo pelo qual protocolos clínicos recomendam manejo individualizado mesmo em pacientes sem sintomas evidentes.

Como é feito o tratamento das arritmias cardíacas?

O tratamento das arritmias cardíacas é direcionado pela causa de base, pelos sintomas apresentados e pelo risco associado ao tipo específico de arritmia. Primeiramente, corrige-se, quando possível, a causa subjacente, como distúrbio eletrolítico, hipertireoidismo ou isquemia miocárdica. Em seguida, quando a terapia direta é necessária, o médico pode recorrer a medicamentos antiarrítmicos para controle de frequência ou de ritmo. Nos casos de taquiarritmias instáveis, a cardioversão elétrica restabelece o ritmo sinusal rapidamente. Para bradiarritmias sintomáticas, o implante de marcapasso artificial substitui a função do nó sinusal. A ablação por cateter, técnica que elimina o foco elétrico responsável pela arritmia, tornou-se alternativa consolidada e reduziu a necessidade de cirurgia cardíaca aberta nesses casos. Em situações de risco de morte súbita, indica-se o cardioversor desfibrilador implantável. Existem protocolos de tratamento de emergência das arritmias cardíacas específicas, reforçando que arritmias assintomáticas sem risco grave não exigem intervenção imediata.

Qual o papel da arritmologia e da inteligência artificial no diagnóstico precoce da fibrilação atrial?

A arritmologia é a subespecialidade da cardiologia dedicada ao diagnóstico e tratamento dos distúrbios do ritmo cardíaco, e a fibrilação atrial figura como sua principal prioridade clínica pelo volume de casos e pelo impacto em desfechos como acidente vascular cerebral. A Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial 2025, publicada pela ABC Cardiol, reforça a importância da detecção precoce e da estratificação de risco tromboembólico como pilares do manejo da condição no Brasil. 

Nesse contexto, o Kardia, plataforma de inteligência artificial da Neomed, atua como copiloto clínico: analisa o traçado eletrocardiográfico e identifica fibrilação atrial, infarto agudo do miocárdio, bloqueios atrioventriculares, taquicardia, isquemia e outras arritmias em segundos, com laudos críticos disponíveis em menos de 5 minutos. 

Uma tecnologia não substitui o cardiologista, mas que amplia sua capacidade de identificar casos que exigem intervenção imediata, especialmente em cenários de grande volume de exames e escassez de especialistas em arritmologia.

Kardia: cardiologia com inteligência artificial

Quais os erros mais comuns na avaliação de arritmias e como evitá-los?

O erro mais comum na avaliação de arritmias é presumir que a ausência de sintomas significa ausência de risco, levando a atrasos no diagnóstico de fibrilação atrial silenciosa e de bloqueios atrioventriculares avançados. Outro erro frequente é interpretar um ECG isolado como suficiente quando a arritmia é intermitente, sem indicar monitoramento ambulatorial prolongado por Holter ou monitor de eventos. 

A confusão entre taquicardia ventricular e taquiarritmia supraventricular com condução aberrante também gera decisões terapêuticas equivocadas, já que medicamentos usados para taquiarritmias supraventriculares podem agravar quadros de taquicardia ventricular. Por fim, negligenciar a avaliação de risco tromboembólico em pacientes com fibrilação atrial recém-diagnosticada compromete a prevenção de acidente vascular cerebral. 

O Afya Portal reúne cinco recomendações práticas sobre arritmias que todo médico deveria conhecer, reforçando a importância da correlação entre sintoma, traçado eletrocardiográfico e contexto clínico do paciente.

Quais são as tendências da arritmologia para os próximos anos?

A arritmologia caminha para um modelo de diagnóstico cada vez mais contínuo, preditivo e assistido por inteligência artificial. Dispositivos vestíveis e monitores implantáveis de longa duração já ampliam a capacidade de captar arritmias paroxísticas que escapariam a um ECG convencional de poucos minutos. 

Algoritmos de aprendizado de máquina aplicados à leitura eletrocardiográfica, como os empregados pelo Kardia, permitem triagem automática de traçados críticos, reduzindo o tempo entre a coleta do exame e a decisão médica em hospitais e redes de saúde com alto volume de laudos. 

A telecardiologia amplia o acesso a interpretação especializada em regiões com escassez de arritmologistas, um desafio ainda relevante no Brasil. A produção científica recente também aponta para terapias de ablação cada vez mais precisas, guiadas por mapeamento eletroanatômico tridimensional. 

Perguntas frequentes sobre arritmia cardíaca

Arritmia cardíaca tem cura?

Depende do tipo e da causa. Extrassístoles isoladas e algumas taquiarritmias supraventriculares podem ser eliminadas definitivamente por ablação por cateter. Já bradiarritmias por disfunção do nó sinusal costumam exigir marcapasso permanente. A fibrilação atrial, em muitos casos, é controlada, mas não eliminada de forma definitiva, exigindo acompanhamento contínuo.

Arritmia cardíaca pode matar?

Sim, dependendo do tipo. Taquicardia ventricular sustentada, fibrilação ventricular e bloqueio atrioventricular total sem ritmo de escape adequado podem levar à parada cardíaca em minutos. Já extrassístoles isoladas e arritmia sinusal respiratória são, em geral, inofensivas e não representam risco de morte.

Estresse pode causar arritmia cardíaca?

Sim. A estimulação simpática associada a estresse emocional intenso pode desencadear taquiarritmias, especialmente em pessoas com predisposição estrutural ou elétrica prévia no coração. Cafeína, álcool e privação de sono agem por mecanismos semelhantes e são fatores desencadeantes reconhecidos na prática clínica.

Qual exame detecta arritmia cardíaca com mais precisão?

O eletrocardiograma é o exame inicial padrão para detecção de arritmia cardíaca. Quando o episódio é intermitente, o monitoramento ambulatorial por Holter, monitor de eventos ou dispositivo implantável de registro contínuo aumenta significativamente a chance de captar o ritmo anormal durante sua ocorrência real.

Fibrilação atrial é a mesma coisa que arritmia cardíaca?

Não. Arritmia cardíaca é o termo geral para qualquer alteração do ritmo do coração. Fibrilação atrial é um tipo específico de arritmia, o mais comum entre as taquiarritmias sustentadas, caracterizado por atividade elétrica atrial desorganizada e associado a maior risco de acidente vascular cerebral.

 


Diagnóstico preciso de arritmia começa com a tecnologia certa

A avaliação de arritmia cardíaca exige rapidez, precisão e capacidade de identificar padrões críticos em meio a um volume crescente de exames eletrocardiográficos, especialmente em hospitais e redes de saúde com poucos arritmologistas disponíveis. A inteligência artificial deixou de ser promessa e se tornou instrumento aplicado à rotina diagnóstica, reduzindo o tempo entre a coleta do ECG e a intervenção médica. Conheça o Kardia e reduza o tempo de laudo cardiovascular com precisão e segurança.

 



REFERÊNCIAS

  1. MSD Manuals (versão profissional). Visão geral das arritmias. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/doen%C3%A7as-cardiovasculares/vis%C3%A3o-geral-de-arritmias-e-doen%C3%A7as-de-condu%C3%A7%C3%A3o/vis%C3%A3o-geral-das-arritmias
  2. ABC Cardiol. Artigos por palavra-chave: arritmias cardíacas. Disponível em: https://abccardiol.org/article-keyword/arritmias-cardiacas/
  3. ABC Cardiol. Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial 2025. Disponível em: https://abccardiol.org/article/diretriz-brasileira-de-fibrilacao-atrial-2025/
  4. MSD Manuals (versão para pacientes). Considerações gerais sobre arritmias cardíacas. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-do-cora%C3%A7%C3%A3o-e-dos-vasos-sangu%C3%ADneos/arritmias-card%C3%ADacas/considera%C3%A7%C3%B5es-gerais-sobre-arritmias-card%C3%ADacas
  5. MSD Manuals (versão profissional). Tratamento de emergência das arritmias. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/doen%C3%A7as-cardiovasculares/arritmias-card%C3%ADacas-espec%C3%ADficas/tratamento-de-emerg%C3%AAncia-das-arritmias
  6. Afya Papers. Categoria: arritmia. Disponível em: https://papers.afya.com.br/categorias/arritmia
  7. Afya Portal. Como manejar arritmias cardíacas em pacientes assintomáticos. Disponível em: https://portal.afya.com.br/cardiologia/como-manejar-arritmias-cardiacas-em-pacientes-assintomaticos
  8. Afya Portal. 5 dicas sobre arritmias que todo médico deveria saber. Disponível em: https://portal.afya.com.br/cardiologia/5-dicas-sobre-arritmias-que-todo-medico-deveria-saber
  9. Coren-PA. Arritmia cardíaca: conheça sintomas e atitudes que podem prevenir alterações no coração. Disponível em: https://www.corenpa.org.br/arritmia-cardiaca-conheca-sintomas-e-atitudes-que-podem-prevenir-alteracoes-no-coracao/
  10. Mayo Clinic. Heart arrhythmia: symptoms and causes. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/heart-arrhythmia/symptoms-causes/syc-20350668
  11. Cleveland Clinic. Arrhythmia. Disponível em: https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/16749-arrhythmia

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Girlane Lovato é farmacêutica graduada pela Universidade Federal do Pará. Possui MBA em Marketing e Vendas e Formação Complementar em Empreendedorismo e Gestão de Contas-Chave. É Gerente de Operações da Neomed, onde lidera as equipes de onboarding e customer success.

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