As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, com mais de 400 mil óbitos por ano, o equivalente a uma morte a cada 1,5 minuto. Dentro desse cenário, a fibrilação atrial ocupa um papel que muitas clínicas e hospitais ainda subestimam: ela é uma das causas evitáveis mais comuns de AVC isquêmico, e sua detecção precoce pode ser determinante para salvar vidas.
Tecnologias como o Kardia, da Neomed, que analisa eletrocardiogramas com inteligência artificial em segundos e emite alertas críticos em menos de 5 minutos, estão no centro dessa estratégia de diagnóstico precoce, tornando possível identificar arritmias antes que se tornem emergências neurológicas.
O que é fibrilação atrial e por que ela importa tanto
A fibrilação atrial é a arritmia cardíaca mais comum no mundo. Ela ocorre quando os átrios (câmaras superiores do coração) passam a bater de forma rápida e descoordenada, substituindo o ritmo regular por contrações caóticas. O problema central não é apenas o desconforto que pode gerar no paciente: é o que acontece dentro do coração durante esses episódios. O sangue estagnado nos átrios pode formar coágulos que, ao se desprenderem, percorrem a corrente sanguínea até o cérebro, causando um AVC isquêmico.
Pacientes com fibrilação atrial têm risco de AVC entre 5 e 6 vezes maior do que indivíduos sem essa arritmia. Esse dado, amplamente consolidado na literatura cardiológica, transforma a FA em um fator de risco cerebrovascular direto. E, ao contrário do que se imagina, nem sempre o paciente apresenta sintomas evidentes. Muitos casos são diagnosticados somente após um episódio de AVC, o que reforça a importância do rastreio ativo.
O tamanho do problema no Brasil
O Brasil registrou, em 2024, 84.878 óbitos por AVC — uma morte a cada 7 minutos. Em 2026, esse número avançou ainda mais: segundo o Conselho Federal de Farmácia, o AVC já supera o infarto como causa isolada de morte no país, com uma morte a cada 6 minutos. Ao mesmo tempo, entre 2019 e 2023, o SUS registrou 335.317 internações por fibrilação atrial e flutter atrial, com maior incidência em homens e na faixa etária acima de 70 anos.
As arritmias cardíacas, de forma mais ampla, causaram quase 10 mil mortes em quatro anos no Brasil — e 95% das internações por essa causa ocorreram em caráter de urgência. Isso revela um padrão preocupante: o sistema de saúde frequentemente atende a arritmia quando ela já evoluiu para uma crise, e não durante a janela em que uma intervenção preventiva ainda seria viável.
As doenças cardiovasculares custam ao Brasil aproximadamente R$ 56,2 bilhões por ano em internações, procedimentos e perda de produtividade. Parte expressiva desse custo poderia ser reduzida com diagnóstico precoce e manejo adequado das arritmias, especialmente da fibrilação atrial.
Quem está em maior risco
A fibrilação atrial cresce exponencialmente com a idade. Estudos brasileiros mostram aumento de 5 a 9 vezes na prevalência entre as faixas de 60–69, 70–79 e acima de 80 anos. O envelhecimento populacional brasileiro, portanto, é um fator que amplifica diretamente a carga da FA e, por consequência, do AVC.
| Variável | Dados e tendências |
| Internações por arritmias (2019–2023) | 154.965 internações, 95% por urgência, 9.993 óbitos associados |
| Internações por FA/flutter (2019–2023) | 335.317 internações – maior incidência em homens e idosos |
| Óbitos por AVC em 2024 | 84.878 mortes |
| Mortes por AVC em 2025 (até abril) | 18.724 óbitos |
| Tendência de internações por arritmias | Aumento ao longo de 2014–2024, com maioria em caráter de urgência |
| Faixa etária mais afetada por arritmias/FA | 70–79 e ≥80 anos – maior mortalidade em idosos acima de 80 anos |
Além da idade, os principais fatores que aumentam o risco de FA e de suas complicações tromboembólicas incluem hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, diabetes mellitus, doença arterial coronariana, apneia do sono e obesidade. Pacientes com múltiplos desses fatores representam uma população de alta prioridade para rastreio e monitoramento contínuo.
No contexto clínico brasileiro, a escassez de cardiologistas especialistas fora dos grandes centros urbanos cria uma assimetria importante: populações do interior e de regiões menos assistidas têm acesso reduzido ao diagnóstico qualificado, exatamente o recurso que permite identificar a FA antes de um evento cerebrovascular.
O papel do eletrocardiograma na detecção precoce
O eletrocardiograma (ECG) é o exame de referência para a detecção de fibrilação atrial. O traçado característico da FA, com ausência de onda P definida, intervalos RR irregulares e linha de base com oscilações irregulares, pode ser identificado em um ECG de 12 derivações de repouso. Em casos de FA paroxística, que aparece e desaparece, o Holter de 24 ou 48 horas amplia a sensibilidade diagnóstica.
O desafio, no contexto da saúde brasileira, não é a ausência do exame, mas o tempo entre a realização e a interpretação qualificada. Em muitos serviços, laudos de ECG demoram horas ou dias, e alertas críticos chegam tarde demais. A inteligência artificial aplicada ao eletrocardiograma resolve exatamente esse gargalo: o Kardia, por exemplo, realiza triagem automatizada em segundos, detecta fibrilação atrial, bloqueios AV, taquicardias e alterações isquêmicas, e emite alertas via WhatsApp e e-mail para que o médico responsável possa agir com rapidez.
O que clínicas e hospitais podem fazer agora
A detecção precoce de fibrilação atrial não exige necessariamente uma estrutura hospitalar complexa. O que exige é um protocolo ativo. Algumas medidas práticas que serviços de saúde podem adotar:
Rastreio sistemático em pacientes de risco. Incluir ECG de repouso na avaliação periódica de pacientes acima de 65 anos, hipertensos, diabéticos e portadores de insuficiência cardíaca. A FA silenciosa (sem sintomas) é subdiagnosticada exatamente porque não há triagem ativa.
Redução do tempo de laudo. O laudo tardio compromete a utilidade clínica do exame. Serviços que adotam plataformas de análise assistida por IA conseguem identificar alterações críticas em minutos, não em horas.
Integração entre cardiologia e neurologia. Pacientes com FA confirmada devem ter avaliação de risco tromboembólico e indicação de anticoagulação discutida com brevidade. A integração entre as especialidades é um fator que reduz o tempo para a intervenção preventiva.
Monitoramento contínuo em pacientes de alto risco. Holter e MAPA permitem documentar episódios de FA paroxística que escapam ao ECG convencional. Plataformas de gestão de laudos com SLA definido, como o Octopus da Neomed, garantem que esses exames sejam analisados com agilidade e dentro de padrões de segurança.
Erros comuns que aumentam o risco do paciente
Aguardar sintomas para investigar. Parte relevante dos pacientes com FA não apresenta palpitações, tontura ou dispneia perceptíveis. O diagnóstico só ocorre durante um check-up ou após um AVC. Esperar pelo sintoma é esperar pela complicação.
Não estratificar o risco de AVC após o diagnóstico de FA. Confirmar a arritmia sem avançar para a avaliação do risco tromboembólico é uma lacuna clínica que coloca o paciente em perigo. A anticoagulação adequada — quando indicada — reduz em cerca de 64% o risco de AVC em pacientes com FA.
Laudos sem SLA definido. A ausência de um tempo máximo para liberação de laudos críticos compromete a capacidade de resposta do serviço. Um ECG que identifica FA pode ser decisivo para uma conduta preventiva se o médico receber o resultado com rapidez.
Subestimar o risco em pacientes mais jovens. Embora a FA seja mais prevalente em idosos, o aumento de fatores de risco em adultos abaixo de 50 anos (hipertensão precoce, obesidade, apneia do sono) torna necessário ampliar o olhar clínico para faixas etárias mais jovens.
Tecnologia e o futuro do diagnóstico cardiovascular
Em 2026, as tendências em cardiologia convergem para um diagnóstico mais rápido, menos invasivo e mais integrado. O uso de inteligência artificial para análise de ECG deixou de ser experimental e passou a ser adotado como ferramenta de apoio clínico em serviços que precisam escalar a capacidade diagnóstica sem ampliar proporcionalmente a equipe especializada.
A fibrilação atrial, em particular, é um dos alvos prioritários desses sistemas: a IA consegue identificar padrões de FA no traçado eletrocardiográfico com alta sensibilidade, inclusive em formas que seriam facilmente ignoradas em uma leitura manual sob pressão de tempo. A combinação de IA com um protocolo estruturado de alertas e SLAs definidos representa o modelo mais eficiente disponível hoje para serviços que tratam populações de risco.
O Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia registrou, em 2025, mais de 403 mil mortes por doenças cardiovasculares no Brasil. Nenhum desses números é inevitável em sua totalidade. A diferença entre detectar uma FA antes e depois de um AVC pode ser a diferença entre um paciente que segue em tratamento e outro que chega ao pronto-socorro com hemiplegia.
Diagnóstico precoce de FA começa com a tecnologia certa
O Brasil tem capacidade de reduzir sua mortalidade cardiovascular e a detecção precoce de fibrilação atrial é uma das estratégias com maior impacto comprovado. Isso exige, da parte dos serviços de saúde, um compromisso com velocidade, precisão e rastreio ativo.
O Kardia, da Neomed, foi desenvolvido para ser o copiloto clínico do médico cardiologista: analisa exames com IA em segundos, identifica fibrilação atrial, IAM, bloqueios e arritmias, e emite alertas críticos em minutos via WhatsApp, e-mail e app. Mais de 1.000 instituições de saúde já utilizam a plataforma, que já impactou mais de 3 milhões de vidas.
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Fontes
- Estatística Cardiovascular – Brasil 2023. Arquivos Brasileiros de Cardiologia / SciELO Preprints. Disponível em: https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/view/7707
- Estatística Cardiovascular – Brasil 2023. Instituto Nacional de Cardiologia / Ministério da Saúde. Disponível em: https://dspace.inc.saude.gov.br/items/d71a8887-7cc5-4572-9057-4d4a37ebebe0
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- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Cardiômetro. Disponível em: http://www.cardiometro.com.br
- Veja Saúde. Internações por infarto aumentam 160% em 20 anos. Abril de 2025. Disponível em: https://saude.abril.com.br/coluna/guenta-coracao/internacoes-por-infarto-aumentam-160-em-20-anos/
- Perfil epidemiológico das internações por insuficiência cardíaca no Brasil no período entre 2020 e 2024. Revista FT, 2025. Disponível em: https://revistaft.com.br/perfil-epidemiologico-das-internacoes-por-insuficiencia-cardiaca-no-brasil-no-periodo-entre-2020-e-2024/
- Correio Petropolitano. Arritmias causam quase 10 mil mortes em 4 anos no Brasil; 95% das internações foram urgentes. 2025. Disponível em: https://correiopetropolitano.com.br/2025/08/16/arritmias-causam-quase-10-mil-mortes-em-4-anos-no-brasil-95-das-internacoes-foram-urgentes-alerta-especialista/
- Panorama epidemiológico das internações por Flutter e Fibrilação Atrial no Brasil nos últimos anos. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences (BJIHS), 2025. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/2179
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- Epidemiologia dos transtornos de condução e arritmias cardíacas no Brasil: internações e óbitos entre 2014 e 2024. BJIHS, 2025. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/5209
- Summit Saúde / Estadão. AVC mata um brasileiro a cada sete minutos em 2025. Disponível em: https://summitsaude.estadao.com.br/desafios-no-brasil/avc-mata-um-brasileiro-a-cada-sete-minutos-em-2025/
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- Conselho Federal de Farmácia (CFF). AVC avança no Brasil e já mata mais que infarto, com uma morte a cada seis minutos. Março de 2026. Disponível em: https://site.cff.org.br/noticia/Noticias-gerais/20/03/2026/avc-avanca-no-brasil-e-ja-mata-mais-que-infarto-com-uma-morte-a-cada-seis-minutos
- Dr. Luiz Fernando Oliveira (neurologista). Causa de AVC: Arritmias e Fibrilação Atrial. 2024. Disponível em: https://drluizfernandoneuro.com.br/causa-de-avc-arritmias-e-fibrilacao-atrial/
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- Epidemiologia das doenças cardiovasculares no Brasil: Determinantes sociais e perspectivas clínicas. II Scientific, 2025. Disponível em: https://iiscientific.com/artigos/e22487/
- Gilberto Nunes. Novidades da Cardiologia em 2026: tecnologia, precisão e menos invasão. Março de 2026. Disponível em: https://gilbertonunes.com.br/2026/03/02/novidades-da-cardiologia-em-2026-tecnologia-precisao-e-menos-invasao/
- SOS Neurocirurgia. Guideline 2026 atualiza diretrizes para o manejo do AVC isquêmico agudo. 2026. Disponível em: https://sosneurocirurgia.com.br/guideline-2026-atualiza-diretrizes-para-o-manejo-do-avc-isquemico-agudo-entenda-as-principais-mudancas-e-indicacoes/
- SOBRAC – Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas. Cuide do seu coração em 2026. Disponível em: https://sobrac.org/publico-geral/cuide-do-seu-coracao-em-2026/


