Infarto Agudo do Miocárdio: sinais, exames e diagnóstico

O infarto agudo do miocárdio é responsável por cerca de 100 mil mortes por ano nos Estados Unidos e por 1,4 milhão de óbitos por doença isquêmica do coração em todo o mundo, a principal causa de morte no planeta. No Brasil, o cenário se repete em escala: são 100 mil mortes anuais atribuídas ao infarto dentro de um total de 400 mil óbitos cardiovasculares por ano. 

Diante desses números, o diagnóstico de infarto precisa ser rápido, preciso e acessível em qualquer ponto da rede assistencial, do pronto atendimento de pequeno porte ao hospital terciário. É exatamente nesse ponto que tecnologias como o Kardia, plataforma de inteligência artificial da Neomed, mudam o cenário: o sistema analisa o eletrocardiograma e identifica sinais de infarto agudo do miocárdio e de arritmias como a fibrilação atrial em segundos, entregando laudos críticos em menos de 5 minutos e reduzindo o tempo entre a chegada do paciente e a decisão clínica. 

Este artigo detalha os sinais clínicos, os exames laboratoriais e eletrocardiográficos, os critérios diagnósticos e os tempos assistenciais que definem o prognóstico de quem sofre um infarto.

O que é infarto agudo do miocárdio?

Infarto agudo do miocárdio é a necrose do músculo cardíaco provocada pela interrupção do fluxo sanguíneo em uma ou mais artérias coronárias, geralmente por ruptura de uma placa de aterosclerose seguida de formação de trombo. A condição integra o grupo das síndromes coronarianas agudas, ao lado da angina instável, e é classificada pela Quarta Definição Universal de Infarto do Miocárdio em cinco tipos, sendo o tipo 1 (por evento coronariano primário, como ruptura de placa) e o tipo 2 (por desequilíbrio entre oferta e consumo de oxigênio, sem trombose) os mais relevantes na prática clínica. 

Segundo dados publicados, o infarto tipo 2 responde por 14,8% dos casos hospitalizados e costuma acometer pacientes mais velhos, com maior prevalência de insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e doença renal crônica. Reconhecer o tipo de infarto orienta diretamente a conduta terapêutica, já que o tratamento do tipo 1 é bem estabelecido na literatura, enquanto o tipo 2 exige correção da causa de base.

Quais são os sinais e sintomas do infarto agudo do miocárdio?

O sinal mais comum do infarto agudo do miocárdio é a dor torácica retroesternal, descrita como aperto, peso ou queimação, que pode se irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, costas ou ombros e costuma durar mais de dez minutos sem alívio completo com repouso. Náusea, sudorese fria, falta de ar e sensação de mal-estar intenso frequentemente acompanham o quadro, principalmente em infartos de parede inferior. 

Nem todo infarto se anuncia dessa forma: cerca de 20% dos infartos agudos do miocárdio na população geral são silenciosos, assintomáticos ou com sintomas vagos não reconhecidos como doença cardíaca, proporção que sobe para até 30% entre pacientes diabéticos. Mulheres, idosos e diabéticos apresentam com mais frequência sintomas atípicos, como dispneia isolada, indigestão ou fadiga extrema, sem a dor torácica clássica. 

Essa variabilidade de apresentação é uma das razões pelas quais o diagnóstico de infarto não pode depender apenas do relato do paciente e exige confirmação objetiva por eletrocardiograma e biomarcadores.

Como é feito o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio?

O diagnóstico de infarto agudo do miocárdio é confirmado quando há elevação da troponina cardíaca acima do percentil 99 do limite superior de referência, associada a pelo menos um critério clínico: sintomas de isquemia, alterações eletrocardiográficas compatíveis, desenvolvimento de onda Q patológica ou evidência de perda de músculo cardíaco em exame de imagem. 

Na prática assistencial, o processo segue uma sequência definida. Primeiro, realiza-se o eletrocardiograma de 12 derivações em até dez minutos da chegada do paciente, o exame mais importante para a triagem inicial. Em seguida, coleta-se a troponina de alta sensibilidade na admissão e novamente entre uma e duas horas depois, permitindo observar a curva de variação do biomarcador. Por fim, o resultado combinado do ECG com a cinética da troponina classifica o quadro em infarto com supradesnível do segmento ST, infarto sem supradesnível ou angina instável, cada um com protocolo de tratamento próprio. Quando a probabilidade pré-teste é alta e a troponina inicial é normal, a repetição do exame é obrigatória antes de descartar o diagnóstico.

Qual a diferença entre infarto com supra de ST e sem supra de ST?

A diferença entre os dois principais tipos de infarto agudo do miocárdio está no padrão eletrocardiográfico e na urgência do tratamento invasivo. Enquanto o infarto com supradesnível do segmento ST (IAMCSST, ou STEMI) resulta de uma obstrução coronariana completa e exige angioplastia primária em até 90 minutos da chegada ao hospital capacitado, ou até 120 minutos em caso de transferência entre serviços, o infarto sem supradesnível (IAMSSST, ou NSTEMI) decorre geralmente de uma obstrução parcial e permite estratificação de risco antes da intervenção. 

No IAMSSST, o escore de GRACE orienta o tempo da cateterização: pacientes de alto risco, com escore acima de 140, seguem para o cateterismo em até 24 horas, os de risco intermediário têm até 72 horas e os de baixo risco podem ser conduzidos com estratégia invasiva seletiva. 

Já pacientes instáveis, com choque cardiogênico, insuficiência cardíaca aguda ou arritmia grave, devem ser encaminhados ao cateterismo em até duas horas, independentemente do tipo de infarto, conforme atualização apresentada no ACP 2025. Essa distinção define toda a linha de cuidado, da admissão ao planejamento da reperfusão.

O que é o infarto tipo 2 e por que costuma ser subdiagnosticado?

O infarto tipo 2 é aquele causado por desequilíbrio entre a oferta e o consumo de oxigênio pelo miocárdio, sem ruptura de placa ou trombose coronariana associada, geralmente desencadeado por hipotensão, taquiarritmia, anemia grave, sepse ou hipertensão descontrolada. 

Um estudo de coorte com mais de 255 mil internações identificou que pacientes com infarto tipo 2 são mais velhos, majoritariamente mulheres, e apresentam maior prevalência de insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e doença renal crônica em comparação aos pacientes com infarto tipo 1. Apesar de representar 14,8% dos casos hospitalizados, esse subtipo recebe cineangiocoronariografia em apenas 10,9% das vezes, contra 57,2% no tipo 1, o que reflete a dificuldade de diferenciação clínica e a ausência de protocolo terapêutico padronizado. 

Na prática, o infarto tipo 2 costuma ser tratado como diagnóstico secundário, associado a quadros como sepse, insuficiência respiratória ou pneumonia, o que aumenta o risco de subnotificação e de decisões terapêuticas menos assertivas.

Por que o tempo de atendimento é decisivo no infarto agudo do miocárdio?

O tempo de atendimento é o fator isolado que mais influencia o prognóstico do infarto agudo do miocárdio, porque cada minuto de obstrução coronariana amplia a área de necrose e reduz a quantidade de músculo cardíaco recuperável. A meta estabelecida pelas diretrizes internacionais é de até 90 minutos entre a chegada ao hospital com capacidade de angioplastia e a insuflação do balão (tempo porta-balão), ou até 120 minutos quando há necessidade de transferência entre unidades. Quando a angioplastia primária não está disponível dentro desse intervalo, a fibrinólise deve ser iniciada em até 30 a 60 minutos da chegada, com maior benefício nas primeiras três horas do início dos sintomas. Estudos observacionais mostram associação direta entre tempo porta-balão mais curto e redução de morbimortalidade em curto e longo prazo. A mortalidade intra-hospitalar do infarto, hoje entre 3% e 8%, já foi de 30% antes da disseminação da angioplastia e dos fibrinolíticos, o que evidencia o impacto direto da velocidade assistencial sobre a sobrevida.

Como a inteligência artificial acelera o diagnóstico de infarto e de arritmias como a fibrilação atrial?

A inteligência artificial acelera o diagnóstico de infarto ao automatizar a leitura do eletrocardiograma e sinalizar, em segundos, padrões compatíveis com isquemia aguda, bloqueios de condução ou arritmias associadas, o que reduz a dependência de um especialista disponível no momento exato da urgência. 

O Kardia, copiloto clínico com inteligência artificial da Neomed, foi desenvolvido justamente para essa etapa crítica: o sistema analisa o traçado eletrocardiográfico e detecta fibrilação atrial, infarto agudo do miocárdio, bloqueios atrioventriculares, taquicardia, isquemia e outras arritmias em segundos, entregando laudos críticos em menos de 5 minutos e mantendo um SLA de 98,5%. 

Isso significa que uma unidade de pronto atendimento sem cardiologista de plantão presencial pode identificar um infarto com a mesma velocidade de um centro de referência, encaminhando o paciente para reperfusão sem perda de tempo assistencial. 

É importante destacar que o Kardia atua como copiloto: ele não substitui o médico, mas amplifica sua capacidade diagnóstica, entregando um pré-laudo estruturado que o especialista valida e assina, mantendo a responsabilidade clínica onde ela sempre esteve, com o médico.

Quais os erros mais comuns no diagnóstico de infarto e como evitá-los?

O erro mais comum no diagnóstico de infarto agudo do miocárdio é aguardar o resultado da troponina antes de iniciar o eletrocardiograma, invertendo a sequência recomendada e atrasando a triagem inicial em minutos que podem custar tecido cardíaco. Outro erro frequente é interpretar um eletrocardiograma normal ou pouco alterado como exclusão definitiva do diagnóstico, sem considerar que alterações sutis, sobretudo nas derivações inferiores (II, III e aVF), podem passar despercebidas em uma leitura apressada. A dependência de uma única dosagem de troponina também gera diagnósticos incompletos, já que o valor pode estar normal nas primeiras horas do evento e só se elevar na coleta seriada seguinte. Erros de classificação entre infarto tipo 1 e tipo 2 são igualmente comuns, dado que os sintomas e alterações laboratoriais se sobrepõem, mas exigem condutas terapêuticas distintas. 

Para evitar essas falhas, clínicas e hospitais têm adotado protocolos padronizados de dor torácica, ECG seriado e apoio de inteligência artificial na leitura eletrocardiográfica, reduzindo a variabilidade entre profissionais e o tempo até o diagnóstico conclusivo.

Quais são as tendências para o diagnóstico de infarto nos próximos anos?

A principal tendência para o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio nos próximos anos é a incorporação definitiva da inteligência artificial à leitura do eletrocardiograma em toda a rede assistencial, não apenas em hospitais terciários. 

As diretrizes mais recentes da American College of Cardiology e da American Heart Association, atualizadas em 2025, já recomendam imagem intravascular em todos os casos de intervenção coronária percutânea em síndrome coronariana aguda e uso de dispositivos de bomba de fluxo microaxial em choque cardiogênico refratário, sinalizando uma medicina cardiovascular cada vez mais orientada por tecnologia e dados objetivos. 

No Brasil, a escassez de cardiologistas fora dos grandes centros e a concentração regional de especialistas reforçam a necessidade de ferramentas que padronizem a interpretação do ECG e antecipem o alerta de infarto e de arritmias como a fibrilação atrial. Plataformas de laudo remoto e triagem automatizada, como o Kardia, tendem a se tornar parte da infraestrutura básica de pronto atendimento, hospitais e clínicas, reduzindo a variabilidade de laudo entre profissionais e aproximando o tempo de diagnóstico do padrão dos grandes centros de referência.

Perguntas frequentes sobre infarto agudo do miocárdio

Quanto tempo demora para diagnosticar um infarto?
O diagnóstico inicial de infarto agudo do miocárdio pode ser obtido em poucos minutos: o eletrocardiograma deve ser realizado em até dez minutos da chegada ao pronto atendimento, e a primeira dosagem de troponina é feita na sequência. Com apoio de inteligência artificial, como o Kardia, a leitura do ECG e o alerta de infarto ocorrem em cerca de 7 segundos.

Infarto sempre dói no peito?
Não. Cerca de 20% dos infartos agudos do miocárdio são silenciosos, segundo o MSD Manuals, chegando a 30% em pacientes diabéticos. Mulheres, idosos e diabéticos apresentam com frequência sintomas atípicos, como falta de ar, náusea ou fadiga extrema, sem a dor torácica clássica irradiada para o braço.

Qual exame de sangue detecta infarto?
O exame que detecta infarto agudo do miocárdio é a dosagem de troponina cardíaca, preferencialmente pelo método de alta sensibilidade. O biomarcador é coletado na chegada do paciente e repetido entre uma e duas horas depois, permitindo observar a variação que confirma ou descarta a necrose do músculo cardíaco.

Infarto silencioso tem cura?
O infarto silencioso não tem cura no sentido de reverter a lesão já causada, mas o tratamento posterior é o mesmo dos infartos sintomáticos: reperfusão quando indicada, antiplaquetários, betabloqueadores e estatinas. O diagnóstico tardio, no entanto, aumenta o risco de insuficiência cardíaca e de novos eventos coronarianos.

O que fazer nos primeiros minutos de um infarto?
Diante de sintomas sugestivos de infarto agudo do miocárdio, a orientação é acionar o serviço de emergência imediatamente, evitar dirigir até o hospital e, se prescrito previamente, usar nitroglicerina conforme orientação médica. O tempo entre o início dos sintomas e o atendimento é o principal determinante do prognóstico.


Diagnóstico rápido de infarto começa com a tecnologia certa

O infarto agudo do miocárdio é uma corrida contra o tempo, e cada etapa do processo, do reconhecimento do sintoma à leitura do eletrocardiograma, define quanto músculo cardíaco será preservado. 

Hospitais que dependem exclusivamente da disponibilidade presencial de um cardiologista para interpretar um ECG enfrentam um gargalo que a tecnologia já é capaz de resolver. O Kardia entrega, em segundos, a triagem que hoje decide o prognóstico do paciente com suspeita de infarto ou de arritmias como a fibrilação atrial, e faz isso mantendo o médico no centro da decisão clínica. 

Conheça o Kardia e reduza o tempo de laudo cardiovascular com precisão e segurança.

Kardia: cardiologia com inteligência artificial


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Girlane Lovato é farmacêutica graduada pela Universidade Federal do Pará. Possui MBA em Marketing e Vendas e Formação Complementar em Empreendedorismo e Gestão de Contas-Chave. É Gerente de Operações da Neomed, onde lidera as equipes de onboarding e customer success.

Amanda Bonamini – Recursos Humanos

Amanda Bonamini é psicóloga formada pela Universidade Paulista (UNIP), especialista em Gente, Cultura & Desenvolvimento, com mais de oito anos de experiência. Atuou em consultorias e também contribuiu para o crescimento de startups. Na Neomed, é responsável pela área de Pessoas, com foco em cultura organizacional, performance e engajamento.

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José Lopes é Mestre em Gestão de Informática. Como Engenheiro, atuou no Nordeste Bank, onde implementou o framework Ágil. Também trabalhou na startup Tempo Telecom e criou a primeira MVNO (Mobile Virtual Network Operator) na região Centro-Oeste do Brasil. Na Neomod, é responsável pelo desenvolvimento de produtos, infraestrutura e segurança de dados.

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Bruno Farias é pós-graduado em Estudos Gerais de Negócios com Concentração em Marketing na UCLA (EUA) e atua na área de tecnologia há mais de dez anos. Atuou também na T-Systems em Business Operations, e na Keyrus, em um projeto da multinacional AB-Inbev. Foi também gerente de Produto da Movile e criador da plataforma omnichannel Wavy.

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Izabelle Ferreira é pós-graduada em Gestão Financeira. Como contadora, atuou na Amaggi, um dos maiores grupos de trading de Commodities da América Latina. Implementou e gerenciou toda a gestão de Risco Financeiro, indexando os negócios com a Bolsa de Chicago. Na Neomed, é responsável por toda a área financeira.

Gustavo Kuster – Fundador e CEO

Gustavo Kuster é doutor em Neurologia pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Neurologista pela Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina (EPM) e membro do Conselho da ABTMS, também realiza consultoria especializada em Neurologia e Inovação (Medscape) e é especialista em Conselho Consultivo na Allm Inc (startup japonesa de saúde).